Relacionamentos com comida e com pessoa é tudo a mesma coisa. Confesso que quando ouvi esta frase pela primeira vez fiquei bastante curioso, ainda mais depois de ver tanta mulher fruta por aí. É mulher melancia, pêra, melão...Mas não tem nada a ver com isso.
A questão é: Você tem intimidade com aquilo que está comendo? E isso vale tanto pra pessoas quanto para comidas...hehe
Acontece que tem duas maneiras de se comer comida e gente. A primeira é por meio dos sentidos. Esta é a forma como a maioria das pessoas está acostumada a comer e o comportamento na mesa e na cama acabam sendo idênticos. Pelos sentidos você olha para a "comida", acha ela atraente e isso desperta uma vontade incontrolável. Você então abocanha, morde, aperta, lambe a comida, lambe o beiço, repete 2, 3 vezes e não quer parar de comer, afinal é preciso quantidade para ter saciedade. E tudo isso é feito meio que sem pensar, afinal de contas, se está gostoso, é melhor a gente desligar a chave cerebral e dos sentimentos antes que eles venham colocar água no nosso chopp e acabem com este momento intenso de puro êxtase.
Só que o fato de desligar a reflexão sobre o ato em si já é uma senha para se sentir culpado mais tarde. Os sentidos acabaram camuflando aquilo que você quer de verdade, que é ter intimidade, pois somente com ela terá saciedade, uma vez que é isso que você precisa. E é esta culpa que acaba gerando a síndrome do bucho cheio; de comida ou com um rebento.
E o que é então intimidade? É saber os ingredientes da comida ou pelo menos o nome da garota(o) com quem saiu? Nem perto. Intimidade é reconhecer que aquilo que se está comendo faz parte de você, ou melhor, é você, de fato. Não, você não é uma melancia porque sua bunda é grande. Intimidade é reconhecer que você, a melancia, a garota, são feitos da mesma energia. Uma energia que vem da fonte master blaster. Uma energia divina. E que, por isso, não existem diferenças e aquilo que não é diferente, é intimidade.
A princípio, um legume/verdura que você não tolera e uma mulher/homem que não te agrada podem ter o mesmo gosto, o gosto da intolerância e separação. Vocês não estão se vendo com um só, com a mesma energia. Não estou dizendo que não deve comer pizzas e mulheres/homens atraentes, muito pelo contrário. Poderá comê-los, quando não se sentir culpado por estar atendendo uma pseudonecessidade dos seus sentidos, do seu ego. Se conseguir ver a energia única entre você e eles, não sentirá culpa, mas, neste momento, tampouco verá qualquer distinção entre uma coxinha e um chuchu, entre a Angelina Jolie e a Glória Maria.
Hoje, não vamos praticar a retirada de culpa da coxinha e da pizza, pois são aulas avançadas. Vamos então criar a intimidade com uma beringela e retirar deste legume os conceitos equivocados que o fazem menos saboroso que um pedaço de pizza. Aliás, quando uma empresa de alimentos quer dar um aroma de pizza a alguma comida, você sabe quais ingredientes ela adiciona? Tomate, e orégano! Ambos light e gostosos pra cacete.
Além disso, se quiser adicionar um toque refinado ao tempero, adicione a sua energia, que é de onde vem a real nutrição. Crie esta intimidade desde a hora do preparo, pois a hora de realmente comer, é só um momento deste relacionamento, tão importante quanto todo o resto.
Além disso, se quiser adicionar um toque refinado ao tempero, adicione a sua energia, que é de onde vem a real nutrição. Crie esta intimidade desde a hora do preparo, pois a hora de realmente comer, é só um momento deste relacionamento, tão importante quanto todo o resto.
Vamos à receita:
- Pra ter intimidade, não vamos sair comendo a beringela assim de cara. Ela precisa de um certo flerte contigo pra ficar gostosa. Acaricie a dita cuja. Sinta sua energia. Então corte 2 beringelas em fatias finas longitudinais (também conhecido como "de comprido") e mergulhe numa vasilha com água e vinagre. Deixe de um dia para o outro na geladeira para que todo o mau humor dela vá embora.
- Ferva 8 tomates especiais para molho (eu gosto do italiano ou do Débora) e, depois de cozidos, retire a pele e corte em cubinhos.
- Em uma frigideira em fogo médio, adicione 2 dentes de alho picados e 1/4 de cebola em um fio de azeite. Quando estiverem dourados, acrescente o tomate e refogue.
- Junte ao refogado um punhado de mangericão fresco cortado e em seguida meia lata de polpa de tomate. Adicione sal, um jorro de pimenta vermelha e uma colherzinha de café de bicarbonato de sódio, que é para quebrar o ácido do tomate. Quando tudo estiver dando aquela liga, cheirando bem, tire do fogo e reserve.
- Para montar a birinja (também chamo ela de minha neguinha, afinal já estamos bem íntimos), pegue uma refratária ou assadeira média e coloque no fundo as beringelas, lado a lado, formando uma camada.
- Agora, adicione metade da mistura de tomate para cobrir esta camada.
- Por cima do tomate, coloque os 3 quartos restantes da cebola que você usou em tiras finas (crua mesmo), e, por cima da cebola, fatias de queijo branco (minas).
- Coloque a segunda e última camada de beringelas e, por cima delas, o restante da mistura de tomates.
- Para dar o toque final, cubra com rodelas de tomate e polvilhe com orégano e um pouco de parmesão ralado na hora para gratinar.
- Leve no formo médio (215C) por 40 minutos e voilá!
Quer ver como fica a neguinha fantasiada de pizza?
Um prato atraente, gostoso pra cacete e sem culpa!
Façam e me me digam como ficou.
Beijo do gordo!


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