Olá meus queridos,
Por muitos anos acreditei que eu era meu corpo. E com este sentimento de posse, fiz com ele o que bem entendia, assim como tudo que julgava ser meu pertence. Ao ignorar a fonte da vida que o alimentava busquei ser o senhor provedor de sua energia. Ao desconhecer seu real propósito, esculpi nele formas que representassem a raiva que sentia de mim mesmo. Transformeio-o em uma máquina a serviço do sofrimento, da dor e da culpa. Meu corpo se tornou limitado para acompanhar o sentimento que tinha sobre mim mesmo.
No processo de assumir minha real existência consegui enxergar em meu corpo escaras invisíveis de todo o mal que lhe fiz por muito tempo. Olhando para fora do corpo, enxerguei o ato de negligência para com objetos pessoais que quebrei, desperdicei, encostei para que não fosse utilizado por mim e nem por ninguém tão somente para justificar e exercer o meu poder mesquinho de controlar o que me pertencia.
Em um ato de amor, passei a reconhecer e enxergar a energia da vida oriunda da fonte criadora. E no conforto deste reconhecimento devolvi a ela tudo o que antes julgava ser meu, inclusive meu corpo. De proprietário passei a ser inquilino de tudo o que vemos no mundo, passando a utilizar cada objeto em seu devido momento tão quando surgisse a necessidade. Só que o corpo é o único deles que me utilizo a todo instante. Quanto mais o uso, maior o cuidado com esta ferramenta de uso diário. Cuidado proveniente de amor para com tudo o que existe e que me é cedido gentilmente para que eu cumpra com minha função.
A decisão está se consolidando e quanto mais entro em contato com a fonte, maior é minha vontade de amar as ferramentas do mundo disponíveis em minha jornada. Maior é o amor que tenho sobre um corpo alugado diariamente, que não é meu, mas que assim como o martelo, o qual é devidamente guardado para não oxidar na chuva, é amado e cuidado para que possa seguir seu propósito de martelar pregos. Ação esta que está inserida em um propósito muito maior e inevitável.
Amemos e sejamos gratos às ferramentas do mundo, incluindo nossos corpos, como objetos que lhe foram emprestados por aguém que verdadeiramente lhe ama. Gratidão.
Com amor,
Marquinhos Toledo
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